terça-feira, 14 de abril de 2009

A Confusão do ser

Ouvi uma pergunta:

"-Quem és Tu?"

Escutei uma resposta:

"-Sou o momento"


Que momento? o actual? o passado? o futuro?

Será o momento temporal ?

Este momento, aquele momento ou de aqui a um momento?

Se sou o momento, quanto tempo dura esse momento?

Um segundo, um minuto, uma hora um milisegundo, um piscar de olhos, uma frase que deito, um discurso que lanço, uma vida que percorro?

Quem sou?

Sou o que penso?
Sou o que sinto?
Sou o que quero?
Sou o que os outros querem que eu seja?
Sou o que não sou?

Quantos sou?

Tantos quantos os momentos ?
Um por cada momento?

Quem sou?

Um momento!

Feliz?
Naif?
Tosco?
Duro?
Soft?

Sou quem acorda a meio da noite falando sozinho com os seus próprios sonhos?
Sou o que não digo o que queria dizer?
Sou aquele que não faço o que devia?
Sou aquele que se liberta e se abre sem receios?

Serei de facto Eu, como vou saber quem sou eu? em que momento, qual momento?

Sinto que serei eu quando deixar de ser eu e passar a ser EU
Livre da confusão do ruido que enche a minha mente, quando de consciência disser o que tiver que dizer, quando for capaz de dizer sempre a palavra certa no momento certo, sem magoar, sem pisar, sem querer agradar, sem sequer pensar mas sim fluir num fluxo continuo e cristalino, livre de impurezas, suposições, espectativas, ambições, poderes, posses e outras overdoses de sentimentos, emoções e outras confusões.

Mas em que momento?

3 comentários:

  1. Demasiado filosófico para a minha capacidade de escrita :) No entanto, apraz-me dizer que todos nós possuímos diversos "eus". O "eu" profissional, o "eu" amigo, o "eu" neurótico", o "eu" solitário. Ao longo da vida vamos utilizando-os a cada momento, a cada situação de tal forma que, muitas vezes, nos esquecemos de quem realmente somos. São tantas as camadas que é difícil acharmos o momento certo para sermos livres. Se num momento nos descobrimos e sabemos quem realmente somos, no momento seguinte tudo passa. Será que algum dia, seremos realmente verdadeiros? Não sei mas quero acreditar que sim.

    ResponderEliminar
  2. Só há um EU normalmente aquele que nós não conseguimos libertar, aquele que fica escondido pelo que queremos que os outros vejam ou por aquilo que nós pensamos que outros querem, etc...
    Lê a definição de Ego, é esse que impede que o nosso Eu venha ao de cima, no dia em que conseguirmos dominar o Ego então veremos o nosso verdadeiro EU.

    ResponderEliminar
  3. Vou ver se compro o livro. Podes ter razão. O que eu queria dizer com a existência de muitos "eus" é no aspecto de utilizarmos na nossa vida muitas caras, muitas vezes diferentes do que realmente somos e que não conseguimos libertar. Chamemos-lhe então máscaras ou camadas. Sei que é uma aprendizagem mas sorte daqueles que conseguem libertar-se dessas camadas.

    ResponderEliminar